Rastros de corpos e movimentos, impressões deixadas por quem passou antes...  como uma trilha marcada na grama pisada indica a direção para quem vem depois, a paisagem é informação. Ela é resultado de uma ação no ambiente, linguagem apreendida a cada dia. A paisagem pode ser visual ou não. Apesar de ser muito mais inquietante deixar de ouvir do que deixar de ver, o visual torna-se imediatamente mais importante que o sonoro a partir do momento em que a paisagem constituída por componentes visuais tem uma duração de certa forma lenta. As ações do homem sobre a matéria visível permanecem por mais tempo que as ações sobre a matéria invisível – o som por exemplo. A matéria visível, temporizada, nos permite tocar-tatear-sentir o resultado das nossas ações. 

Este ensaio fotográfico é uma série de experimentos apresentados em forma de panoramas. São panoramas que não se contém ao espaço geométrico, uma rua por exemplo, são panoramas do tempo de onde retiramos recortes temporários; panoramas temporários. É exatamente na subversão do espaço geométrico e na (hi)percepção do tempo que nos situamos. São registros do continuum temporal naturalmente sem início e fim. São visualizações que querem fugir do instante pelo continuum infinito – percepção em fuga. O que interessa não é só a rua, mas o que acontece nela. Este panorama poderia se entender pelas paredes desta sala e até mesmo extrapolar os limites da sala, do edifício. São panoramas que não tem limites, portanto, toda apresentação feita aqui é um recorte temporário. São percepções do espaço vivido que ao caminhar no tempo, ou em tempo, se esquece dos instantes que ficaram para trás. São representações efêmeras, em fuga. Sempre em movimento, em tempo, sem parar para acumular paisagem material, paisagem limitada pelo início e pelo fim.